lagoa.jpg (6943 bytes) Coordenação:
Ricardo Coutinho - IEAPM e Centrab
Paulo Ribeiro - Centrab
Björn Kjerfve e Bastiaan Knoppers - UFF
Dieter Muehe e Jean Louis Valentin - UFRJ
Maria Helena C. B. Neves - IEAPM
Lagoa de Araruama

O Centrab está executando um programa de monitoramento da Lagoa de Araruama, de acordo com as exigências da Fundação Estadual do Meio Ambiente - FEEMA, constantes na licença na operação L.O. No 336194 para a extração de calcário conchífero pela Companhia Nacional de Álcalis.
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Campanha de monitoramento
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Coleta de dados
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Vista geral da Lagoa


A Lagoa de Araruama, no centro do Estado do Rio de Janeiro, é uma das maiores lagunas costeiras hipersalinas do mundo. A alta salinidade a torna um ambiente peculiar, mas também problemático. O frágil equilíbrio ambiental é ameaçado pela ocupação desordenada das áreas em torno, em especial por loteamentos destinados a veranistas. Por três anos, pesquisadores estudaram os processos físicos, ecológicos, biogeoquímicos e socioeconômicos que afetam a lagoa, reunindo informações que podem ajudar a orientar a ocupação humana e a reduzir os impactos ambientais.

Desenvolve atualmente também trabalhos encomendados pelas Prefeituras da região sobre as causas da proliferação e do crescimento acelerado das algas verdes na Lagoa de Araruama, e o estudo dos fatores ambientais, naturais e antropogênicos.

Para saber mais consulte:
Araruama uma lagoa ameaçada. Artigo publicado na Ciência Hoje em 1999, Volume 24, No. 149 pags. 24 a 31. CH on-line: www.ciencia.org.br


* LEIA NA ÍNTEGRA A CARTA ALERTA SOBRE A PROLIFERAÇÃO DE ALGAS NA LAGOA DE ARARUAMA*

Arraial do Cabo, junho de 1999

Ref: Comunicação e Alerta sobre a Proliferação e
Disseminação de ALGAS NA LAGOA DE
ARARUAMA e possibilidade de significativo
Desastre Ambiental nos próximos meses.

O CENTRAB- Centro de Estudos e de Projetos Ambientais vem comunicar e alertar sobre os resultados dos estudos que vem realizando regularmente desde l993, na LAGOA DE ARARUAMA, contidos no BANCO DE DADOS DO PROJETO PROLAGOS e nos seguintes trabalhos :

  • Alga verde – Proliferação e Disseminação atual na Lagoa de Araruama ( São Pedro d’Aldeia).
  • Causas do crescimento acelerado de Rhizoclonium sp. na região de São Pedro d’Aldeia.
  • Estudo dos fatores ambientais, naturais e antropogênicos e de medidas mitigadoras.
  • Visitas técnicas no entorno da Lagoa, incluindo toda a orla e Rios das Moças, Mataruna e Salgado, córrego Piri-Piri e canal de Mossoró.
  • Programa de Monitoramento da Lagoa de Araruama.

A distribuição espacial das algas na parte interna da lagoa mostra a predominância das espécies de Clorofíceas (algas verdes) e de Cianofíceas (verde-azuladas) sobre os outros grupos encontrados principalmente ao longo do canal de Itajurú. Assim, as espécies que ocorrem na parte interna da lagoa possuem como característica principal um rápido crescimento quando as condições ambientais tornam-se favoráveis.

Até l996 a presença das algas verdes na parte interna da Lagoa (após o Boqueirão em São Pedro d’Aldeia) era rara e restrita a piers, e pequenas estacas de madeiras presentes na orla. Por outro lado, a presença de Cianofíceas (algas verde-azuladas) sempre foi comum crescendo junto ao sedimento em áreas de alta salinidade causando algum problema apenas quando ela se desprendia e ia para a superfície e posteriormente para a orla.

A alta biomassa da alga verde Rhizoclonium spp. observada na primavera de l998 na Lagoa de Araruama esteve relacionada aos altos níveis de nutrientes presentes neste período. Valores de amônia, nitrato, nitrito e fósforo medidos na parte central da Lagoa foram significativamente maiores que os observados em outras estações do ano, sendo observadas alta biomassa de Rhizoclonium spp. até 4 metros de profundidade na parte central da Lagoa.

De fato, a grande concentração de biomassa observada na orla de São Pedro d’Aldeia), Iguaba Grande e Araruama também foi resultante dos altos níveis de nutrientes presentes na orla.

No momento, já se observa um grande crescimento de Rhizoclonium spp. principalmente na Enseada de São Pedro d’Aldeia, devido ao aporte de efluentes com alta concentração de nutrientes lançado na enseada pela estação de tratamento de esgoto de São Pedro d’Aldeia e também pelo canal de Mossoró. 

No mês de junho passado, medimos níveis de amônia na região central da Lagoa e o valores encontrados foram de 4-10 vezes maiores do que o mesmo período do ano de l998, conforme ilustrado na tabela abaixo :

Tabela I - Comparação entre as concentrações de amônia em m mol/ l (média de 15 amostras) para duas áreas da parte central da Lagoa de Araruama nos anos de l998/ l999.

Período

Enseada da Acaíra

Enseada das Coroinhas

Junho-l998

1,96

0,83

Junho-l999

7,25

11,83

Acreditamos que, mantidas as atuais condições ambientais e os atuais níveis de aporte de sais nutrientes, teremos, na primavera, um crescimento de Rhizoclonium spp. nunca visto na Lagoa de Araruama, provocando um significativo Desastre Ambiental que se estenderá até o verão.

Acreditamos que, com esta comunicação e alerta, podemos contribuir para que medidas mitigadoras possam ser tomadas a curto prazo, evitando-se, assim, prejuízos econômicos e sociais para o próximos meses, sobretudo no verão.

Dr. Ricardo Coutinho,
Diretor Técnico da CENTRAB


Prolagos Projetos de Educação Ambiental
Lagoa de Araruama Projetos Ecoturísticos
Projeto Baleias e Golfinhos Capacitação Profisional Regional
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